A multissensorialidade para melhorar o sabor do seu café - Por André Domingues

Um estudo de neurociência sobre os sentidos diz o seguinte: os sentidos são o link das emoções para a memória. Isso significa dizer que: “Quanto mais sentidos são usados numa experiência para uma pessoa, mais intensa e inesquecível essa experiência será. É simples.” Assim eu disse no meu TEDx Talk em Santarém no Pará que, por sinal, foi uma experiência de fato intensa e inesquecível para mim.


Eu sou fundador do Projeto Musique, a primeira startup do Brasil a usar música ambiente de maneira estratégica através da neurociência e não apenas como entretenimento. São vibrações, frequências e uma série de outros critérios visando influenciar os sentidos, as percepções e certos comportamentos do consumidor em experiências de consumo. Nós usamos a audição, portanto, sob uma perspectiva multissensorial.


Os sentidos são extremamente poderosos e os estímulos ativam em nosso cérebro algumas regiões específicas e moldam a nossa forma de se comportar e como percebemos o ambiente ao nosso redor, tudo de maneira totalmente inconsciente. O grande problema é que as empresas estão apenas começando a perceber que isso é fundamental para a experiência que elas proporcionam para seus clientes. “Apenas começando” não é suficiente.


O que elas não sabem é que 60% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por uma experiência melhor. E a experiência física se traduz em multissensorialidade facilmente. Uma pesquisa realizada pela Brain & Company mostra que 80% das empresas acreditam que proporcionam uma experiência excelente para seus clientes enquanto que apenas 8% dos “clientes” acreditam que estão recebendo uma experiência excelente. Há algo muito errado aí.


Já pensou porque comida em avião é ruim? Isso é devido a três simples motivos, mas nenhum deles é culpa das companhias aéreas. O primeiro é a umidade no avião que é menor que 20%. A segunda razão é a pressão do ar que, dentro do avião, é muito mais baixa que em terra firme. Ambos motivos são captados pelo nosso tato e afetando diretamente nosso olfato. A terceira razão é o ruído emitido pelas turbinas do avião que é de baixíssima frequência, distorcendo nossa capacidade de sentir o sabor doce e salgado em comidas e bebidas devido a um nervo que liga o canal auditivo à língua. Nosso tato e audição afetando negativamente nosso olfato e paladar de forma inconsciente. A culpa, portanto, é nossa, do nosso corpo, dos nossos sentidos, influenciando diretamente nosso cérebro. Através de uma analogia simples, por que não usar música em vibrações e frequências ideais para aguçar nosso paladar enquanto você relaxa tomando aquele cafezinho?

 

Logo, a música certa pode alterar a percepção que seu cliente tem sobre seu produto, nesse caso o café. Além disso, imagina só: o Projeto Musique conseguiu mensurar um aumento de 9% no tempo médio d​e permanência do cliente em uma rede de cafeterias apenas através da música. Isso significa que seu cliente, além de achar seu produto mais gostoso, vai consumi-lo mais por, "naturalmente", estar lá por mais tempo. Se ele fica mais tempo é porque aquela experiência está proporcionando bem-estar inconsciente à ele. Isso exponencia seu recall de marca, gerando maior taxa de retorno e consequentemente mais fidelização do seu cliente. No final das contas, pro empresário, isso é resultado.


Usar os sentidos de forma inteligente e integrada é agregar valor inconsciente à experiência das pessoas. É a biologia do comportamento humano, que deve ser usado à nosso favor para entregarmos mais impacto às pessoas. Não é mais diferencial. É obrigação.  E isso vale não só para os negócios, mas também para receber os amigos em casa, por exemplo, ou quem sabe presentear alguém especial. Quanto mais você multissensorializar sua experiência, mais impacto você entrega. Quanto mais você multissensorializar com inteligência e estratégia sua experiência, o céu é o limite.


André Domingues é fundador do Projeto Musique

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