Os negócios no pós-pandemia: Economia, comportamento e o “novo normal” - Por Tiago Monteiro

O processo de pandemia tende a trazer uma revolução econômica na atual sociedade, tanto de âmbito corporativo, como social. A atual fase do sistema capitalista, que é baseada em uma simbiose entre capital financeiro, com um alto apetite por volatilidade; capacidade de produção e eficiência produtiva de grande volume com custos baixos; e uma sociedade visceralmente consumista, viu, nos últimos 90 dias, todo essa estrutura desmoronar por causa de um vírus, ou melhor, por causa DO VÍRUS!


O COVID-19 vem fazendo estrago na saúde pública e na saúde econômico-financeira das famílias, das empresas e dos países. O isolamento social salvou vidas de pessoas físicas, mas ceifou milhares de vidas de pessoas jurídicas. O não isolamento social, ou o isolamento malfeito, ceifou vidas de pessoas físicas e também de pessoas jurídicas, porque estamos falando de confiança e medo, e essas duas palavras nunca andaram de mãos dadas harmonicamente, e não seria nos tempos de hoje que isso aconteceria.


Então, é válido ressaltar que, passado o pior da pandemia, teremos realmente um “novo normal”, que guiará a nossa economia no curto e médio prazo, como:


1 – Comportamento Econômico:


Quando falamos de comportamento econômico, é interessante apontar que as pessoas, mesmo com o abrandamento dos isolamentos sociais, não vão se sentir seguras em trafegar em lugares de grande acúmulo de pessoas, como shoppings, restaurantes, feiras, eventos, salas de aula, etc. Isso fará com que, mesmo com a “liberação” desses estabelecimentos, as pessoas (físicas e jurídicas) terão que aprender e entender como serão os negócios daqui pra frente, até que a confiança se estabilize e a gente tenda a retomar os hábitos anteriores, mas com algumas sequelas e cicatrizes.


2 – Comportamento financeiro:


A pandemia, compulsoriamente, nos ensinou a ser mais econômicos e racionais, em termos de utilização do dinheiro. Tanto é que alimentos e remédios aparecem como os mais procurados em termos de consumo, enquanto que vestuário e lazer ficaram em segundo ou terceiro plano. Ou seja, a sociedade, ao ser colocada em situação de extrema complexidade econômica e financeira, acabou por ser mais racional e cirúrgica na utilização dos seus recursos, trazendo um planejamento financeiro de curto prazo que pode, ao logo do tempo, se manter e catalisar novos hábitos financeiros. A dor do isolamento social e do medo de perder o emprego fizeram com que o consumo compulsório e impulsivo desse lugar à consciência financeira.


3 – Novos hábitos de trabalho:


O processo de isolamento social também fez com que as empresas e as pessoas entendessem que é possível manter ou até catalisar certo grau de produtividade trabalhando em casa, o chamado home-office. Gigantes como a XP investimentos já anunciaram que, mesmo com a volta das atividades “normais”, pretende manter parte do seu Staff trabalhando e produzindo em casa, o que pode ser uma tônica nos países desenvolvidos, visto que o Brasil ainda é arcaico legislativamente falando – No Brasil, se uma pessoa estivesse trabalhando em casa; caísse da cadeira; quebrasse o braço; e tivesse escoriações, seria tratado como acidente de trabalho e a empresa ainda indenizaria o funcionário.


4– Empreendedorismo digital:


Também, é possível apontar que, justamente por causa da recessão econômica que o globo e o Brasil irão enfrentar em 2020 e parte de 2021, o índice de desemprego aumente exponencialmente e demore a se estabilizar. Além disso, empresas que precisaram se reinventar virtualmente e digitalmente gostaram dos resultados, o que pode indicar um tendência tanto para pessoa física, como para pessoa jurídica – a virtualização e digitalização de produtos e serviços.


5 – Tendência de taxas de juros baixas:


Na tentativa de atenuar os efeitos colaterais do COVID-19 nas economias, os principais Bancos Centrais do mundo, em uma espécie de movimentação coordenada, reduziram abruptamente suas taxas de juros, colocando a taxa média de juros reais no mundo na casa dos -0,5%. O Brasil, que está com uma Selic a 3% ainda é considerado um dos países do TOP 20 com a taxa de juros mais alta, o que pode fazer com que, ao final de 2020, tenhamos uma Selic aos 2,25%, o que, descontada a inflação (projetada aos 2%), podemos ter uma taxa de juros real de 0,25%. Essa dinâmica deve permanecer ao longo de 2021, o que pode potencializar produção e consumo, visto que o custo do capital (juros) está mais barato.


Tiago Monteiro fala sobre Economia e Comportamento.

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