Setembro Amarelo, um café e um ombro amigo - Por Laura Gluer

Estamos no Setembro Amarelo. Essa é uma campanha realizada há seis anos pela Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, para prevenção do suicídio.


Todos os anos, no Brasil, são registrados cerca de 12 mil suicídios e no mundo mais de 1 milhão de pessoas atentam contra a própria vida. E o que este tema tem a ver com o mundo da gestão e o café? Neste ano, em especial, tem muito a ver. Com a pandemia, centenas de empresas fecharam, empreendedores foram à falência e demitiram muitos profissionais de suas equipes. Isso cria um clima de incertezas que deixa muitas pessoas desestabilizadas emocionalmente. O próprio fato de estarmos mais isolados e em confinamento por vários meses já deixa as pessoas mais suscetíveis a quadros depressivos, que podem levar a consequências mais graves, se não forem tratados.


O tema do suicídio foi tabu por muito tempo, mas precisamos falar a respeito. É importante que gestores e colegas estejam atentos aos sinais de que alguém está agindo de forma estranha. Em geral, essas pessoas sofrem em silêncio e não têm coragem de pedir ajuda. Conversar, colocar-se à disposição, orientar para uma escuta mais especializada são caminhos importantes para evitar suicídios e precisam ser discutidos abertamente no âmbito das organizações.


O suicídio é a ponta do iceberg de muitos outros temas que envolvem a qualidade de vida no trabalho e a saúde mental no ambiente corporativo. Stress, burnout, assédio e muitos outros fatores que levam ao sofrimento psíquico dos indivíduos precisam ser debatidos com transparência e seriedade, do ponto de vista da gestão.


E o café? O nosso companheiro de todas as horas não é um “elixir milagroso”, mas pode ajudar como um fitoterápico no tratamento da depressão, segundo estudos realizados por universidades no Brasil e nos EUA. Os ácidos clorogênicos existentes no café podem modular o estado de humor e, consequentemente, o risco de depressão e suicídio.


Claro que isso não exclui a necessidade de um tratamento especializado. Mas convidar um colega para um café pode ser o primeiro passo para abrir um diálogo e fazê-lo sentir-se melhor.

Vamos juntos nesta cruzada pela vida, não apenas no Setembro Amarelo, mas em todos os meses do ano.


Laura Gluer é jornalista e publisher do Café Combustível

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